OBESIDADE: NÃO ALIMENTE ESSE PROBLEMA

MATÉRIA RETIRADA DO DIÁRIO DO NORDESTE

 

Nunca a imagem do indivíduo esteve tão distorcida (e não correspondendo a realidade quanto a questão da saúde em si). Tanto a pessoa magra (que se enquadra dentro dos padrões estéticos vigentes) quanto a que está acima do peso (sobrepeso/obesidade), podem ter graves deficiências de micronutrientes como um ponto em comum.

O cenário epidemiológico ímpar nunca foi tão rico do ponto de vista dos desafios que os profissionais de saúde precisam enfrentar. Tal condição levou o Sistema CFN/CRN (Conselho Federal de Nutricionistas/Conselho Regional de Nutricionistas) a lançar este ano a campanha "Fome, Obesidade e Desperdício de Alimentos: Não alimente esse problema".

Cenários


Os números continuam alarmantes quanto ao avanço da fome no mundo. Segundo o Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, são 925 milhões de crianças, homens e mulheres que acordam e dormem todos os dias com fome.

Na outra ponta, a obesidade/sobrepeso avança com a mesma força e toma proporções epidêmicas. Os dados do sistema Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) revelaram que 48,1% da população apresenta excesso de peso, sendo maior entre homens do que entre mulheres.

Fortaleza figura entre as capitais com maior número de obesos no caso de homens, com 21,7%, sendo seguido de Recife (20,2%) e Cuiabá (19%). No caso das mulheres, o maior índice de obesidade está em Rio Branco (21,3%), Porto Velho (20,9%) e Manaus (19,9%).

Essa temática será discutida na 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, cujo lema é "Alimentação Adequada e Saudável: direito de todos", que acontece de 7 a 11 de novembro, em Salvador (BA). O evento (que contará com a participação de 2 mil convidados) acontece num momento relevante de mobilização social pelo direito humano à alimentação adequada e saudável. Importante: a alimentação foi incluída, em fevereiro de 2010, entre os direitos sociais previstos no artigo 6º da Constituição Federal.


Nutricionista

Por sua formação técnica e científica, o profissional nutricionista - aliado a outros setores da sociedade - dispõe das ferramentas necessárias para reduzir os problemas referentes às carências e excessos nutricionais da população (mudança de comportamento), além de colaborar para a economia do país e preservar o meio ambiente.

A atuação do nutricionista é ampla: incorporação de práticas sustentáveis nos locais de trabalho; orientação para a preferência dos gêneros alimentícios naturais e minimamente processados; fortalecimento de iniciativas que garantam o acesso à informação sobre a importância dos alimentos, da alimentação saudável e da nutrição, como destaca Rosane da Silva, presidente do CFN.

A opinião do especialista


Quando a fome é oculta



A fome oculta é uma carência de micronutrientes (vitaminas e minerais) no organismo. Ela se manifesta através da falta de nutrientes que não estão presentes na alimentação, ou seja, uma dieta não adequada contribui para o desenvolvimento da fome oculta. Trata-se de um problema que não faz distinção entre classes sociais, idade ou sexo e que já atinge cerca de um quarto da população mundial. Também é associado ao famoso "efeito sanfona" que ocorre nas dietas, quando o corpo acaba por recuperar todo o peso que fora perdido. Os sintomas geralmente são percebidos em longo prazo: dores musculares (quando o indivíduo pratica exercícios físicos e não repõem os nutrientes perdidos); fraqueza, cansaço e indisposição; dificuldade de concentração; maior vulnerabilidade a infecções.

As carências relativas às vitaminas irão variar de acordo com o tipo de vitamina que se encontra em deficiência (A, B1, B6, B12, C, D, E, dentre outras) sendo que cada uma irá apresentar uma consequência diferente por sua ausência. Já quanto às carências relativas aos minerais pode-se destacar a anemia (proveniente da ausência de ferro no organismo). O perigo da fome oculta consiste na medida em que os sintomas passam despercebidos pelo indivíduo ao longo do tempo e aparece sob a forma de doenças como câncer, osteoporose, hipertensão e problemas cardiovasculares. Isso ocorre porque os nutrientes que combatem essas doenças estão ausentes no organismo.

A melhor forma de prevenir ou recuperar uma pessoa debilitada é manter uma alimentação balanceada (rica em frutas, verduras, legumes, carboidratos e proteínas) que contenha os nutrientes necessários ao organismo. Os alimentos devem ser ingeridos sem excessos ou escassez, estabelecendo uma relação de proporção entre eles. Evitar o consumo de alimentos industrializados como também o excesso de sal, gordura e açúcar.

Neste contexto, a atuação do profissional nutricionista é indispensável, pois contribui na prevenção e tratamento da carência de micronutrientes e de doenças relacionadas à alimentação, considerando as necessidades, costumes e hábitos alimentares do indivíduo.

Consulte um nutricionista!


Clarice Maria Araújo Chagas Vergara


Nutricionista,

Mestre em Tecnologia de Alimentos,

Doutoranda em Biotecnologia,

Coordenadora do curso de Nutrição da UNIFOR